Biologia Celular e Molecular

Vacinas: aprenda como funcionam e nunca mais precisará ler textos enumerando mitos e verdades sobre isso

Ocorre atualmente, por meio da internet, uma discussão sobre a funcionalidade e credibilidade acerca de vacinas, existe todo um movimento que divulga motivos pelos quais as vacinas seriam prejudiciais à saúde. O problema é que muitos dos fatos divulgados não são verdadeiros.

Mas como saber o que é verdadeiro e o que não é? Pois bem, para começar, sempre pesquise as fontes da informação, não somente para vacinas como para qualquer que seja o assunto divulgado. Busque a opinião de páginas com credibilidade de informação (É um site conhecido? É uma página utilizada como referência para a divulgação de informações por outros sites de credibilidade? O link referente à fonte do site é válido e condiz com a informação que o site divulgou? A fonte utilizada pelo site tem credibilidade reconhecida mundialmente?); busque a opinião de especialistas, pode ser seu professor, afinal, qual a vantagem para seu professor em auxiliar o crescimento da “máfia da indústria farmacêutica que querem as pessoas sempre doentes”, o que ele ganharia com isso?; O mais importante de tudo: conheça o assunto, pesquise e estude, estudo não serve para ganhar diplomas, o conhecimento é a maior arma contra qualquer tipo de conspiração ou tentativa de manipulação de informações, ao conhecer o assunto fica mais fácil identificar as páginas que desinformam ao invés de prestar serviços à comunidade. O post de hoje busca contribuir nesse sentido, vamos conhecer os tipos de vacinas, como funcionam e quais os motivos de algumas pessoas apresentarem reações. Contudo, o encorajo a buscar outras fontes para aprender sobre o funcionamento das vacinas, isso com certeza vai ser a melhor forma de tirar dúvidas sobre o que é mito e o que não é, mais do que textos prontos do tipo: “10 mitos e verdades sobre as vacinas”. A partir do momento que você souber como funcionam e do que são feitas as vacinas não haverá mais dúvidas sobre mitos e verdades. Então vamos lá!

vacina sem medo

A maior parte das doenças que acometem a humanidade se referem à colonização de nossos corpos por microrganismos patogênicos, que utilizam do nosso corpo para sobreviverem e se reproduzirem e acabam prejudicando o funcionamento do nosso organismo. O nosso corpo naturalmente apresenta formas de lutar contra esses invasores, ele possui células especializadas nisso, que juntas formam o nosso sistema imunológico.

Quando nosso sistema imunológico detecta um organismo estranho, ele age com reações a fim de expulsar, inibir ou matar o agente invasor em questão, por isso espirramos, tossimos, vomitamos, temos febre (algumas enzimas do nosso corpo necessitam temperatura mais elevada para trabalhar com eficácia), inflamações de determinadas regiões do corpo na tentativa de isolar e combater o agente infeccioso, e por aí vai, cada sintoma de doença corresponde ao nosso sistema imunológico alertando que algo está errado e combatendo agentes estranhos ao nosso organismo. Além disso, o sistema imunológico registra aquele agente infeccioso para ter uma resposta mais rápida e eficiente se esse tipo de agente voltar a atacar no futuro.

Isso tudo acontece naturalmente no nosso organismo, mas com o conhecimento desses acontecimentos, os cientistas optaram por utilizar essas respostas do nosso sistema imunológico ao nosso favor. Como? Bem, e se nós conseguíssemos uma maneira de ativar esse registro de organismos infecciosos e treinar nosso sistema imunológico antes de a doença aparecer, permitindo que nosso sistema haja de forma altamente eficaz desde a primeira infecção? É exatamente esse o papel das vacinas.

A história da vacina nos mostra que tal engenhosidade teve início no século XVIII, durante a epidemia de varíola, uma das doenças mais temidas no mundo naquela época, com alta taxa de mortalidade. A ideia surgiu a partir da observação de que sobreviventes da doença não contraíam varíola novamente (o sistema imune da pessoa já estava treinado e especializado em lutar contra o vírus da varíola). Foi então que iniciaram as tentativas de provocar a enfermidade de forma branda para evitar que ela fosse contraída de maneira mais potente.

As tentativas àquela época provocaram ainda muitas mortes, mas com o aumento da tecnologia científica e conhecimentos acerca de biologia molecular, atualmente trata-se de um processo altamente confiável e eficaz, uma vez que hoje os cientistas sabem exatamente como funcionam as células do nosso sistema imunológico e equipamentos de alta tecnologia ajudam a realizar experimentos do processo e conhecer o funcionamento das doenças de forma altamente controlada, antes de colocar a vacina em uso na sociedade.

As vacinas são preparadas a partir de componentes do próprio agente agressor ou de um agente que se assemelhe ao causador da doença. Porém, os microrganismos utilizados estão na forma atenuada (enfraquecida) ou inativada (morta).

Como funcionam as vacinas?

  • A vacina fabricada com partes do agente infeccioso ou com versões mais fracas do microrganismo, é injetada na corrente sanguínea;
  • Os antígenos (substância que ao entrar em um organismo é capaz de iniciar uma resposta imune) da vacina são reconhecidos pelo organismo como invasores. Os glóbulos brancos (células responsáveis pela defesa do organismo contra agentes infecciosos) dão início à produção de anticorpos, que atacam os antígenos. São criadas as células de memória;
  • Depois da vacinação, se o antígeno real atacar o corpo, o sistema imunológico, nas células de memória, estará preparado para reconhecer o inimigo e combatê-lo.

 

Tipos de vacina:

A vacina atenuada é feita com bactérias ou vírus vivos, porém cultivados em condições de forma que perderam a capacidade de provocar a doença. Esse enfraquecimento pode ser obtido, por exemplo, provocando mutações que interfiram em processos essenciais para o desenvolvimento do microrganismo. As vacinas contra sarampo, caxumba, rubéola, varicela, febre amarela, rotavírus e poliomielite (oral) são exemplos de atenuadas virais. Já as vacinas BCG (contra tuberculose) e contra a febre tifoide (oral) são atenuadas bacterianas.

A vacina inativada é composta por vírus ou bactérias que foram mortos por processos químicos ou físicos, como por radiação, calor ou tratamento com formaldeído. Alguns exemplos das vacinas inativadas virais são as da poliomielite (parenteral), hepatite A, hepatite B, raiva, influenza e HPV. Entre as inativadas bacterianas estão a DTP (contra difteria, tétano e coqueluche) e a vacina contra febre tifoide.

Algumas vacinas são produzidas utilizando componentes específicos do agente patogênico, como uma proteína ou carboidrato, capazes de produzir uma resposta imunológica, são as chamadas vacinas conjugadas. Quando o componente utilizado é um carboidrato, para que este seja detectado pelo organismo precisa estar “acoplado” (conjugado) a uma proteína. Exemplos de vacinas resultantes deste processo são a Pneumocócica infantil e a Hemófilos Tipo B.

Vacina combinada é o nome que se dá à vacina que apresenta antígenos (moléculas presentes nos vírus e bactérias e que disparam a reação imunológica) de mais de um agente infeccioso, protegendo contra diferentes doenças com apenas uma aplicação. A SCR (contra sarampo, caxumba e rubéola) e a DTP (contra difteria, tétano e coqueluche) são vacinas combinadas tradicionais. Por vezes é possível combinar imunizações que normalmente são realizadas separadamente, como a DTP mais a Hib (Haemophilus influenzae tipo B), que formam a vacina tetravalente.

Uma das diferenças observadas entre as vacinas atenuadas e inativadas diz respeito à intensidade e velocidade da resposta imunológica que elas proporcionam. Geralmente as atenuadas oferecem proteção à longo prazo e, são efetivas com uma única dose. Podem ser produzidas tanto com vírus quanto bactérias, sendo mais comum a utilização de vírus. Já as inativadas são comuns tanto para vírus quanto para bactérias e provocam reações imunológicas de menor intensidade e duração, se comparadas às vacinas atenuadas, exigindo doses de reforço para garantir a cobertura vacinal. Em contrapartida, tendem a provocar menos efeitos adversos.

Algumas vacinas são contraindicadas para imunodeprimidos e gestantes; sendo necessária a avaliação médica caso a caso da utilização destas vacinas para estes públicos. Além disso, há casos em que pessoas alérgicas a certos componentes da vacina podem apresentar reações alérgicas à mesma, é por isso que alguns programas dizem que, por exemplo, pessoas com alergia a ovos precisam de orientação médica antes de tomar uma determinada vacina, porque há componentes que podem desenvolver reações alérgicas nessas pessoas.

Por que algumas pessoas dizem que ficaram doentes após tomar uma vacina se elas servem para evitar a doença?

Algumas pessoas que conheço, após tomar a vacina da gripe H1N1 me disseram “a vacina não adiantou nada, fiquei foi doente”, ou então, “eu não vou tomar essa vacina, fulano tomou e ficou foi doente! ”

Oras! Se você prestou atenção no conteúdo até aqui relatado e pensar um pouquinho vai perceber que a vacinação nessas pessoas simplesmente estava funcionando como deveria! Como foi dito, essas reações que temos quando estamos doentes são o nosso sistema imune atacando o corpo estranho que acabou de atingir nosso organismo! Qual a diferença? A diferença é que pessoas morrem de gripe H1N1 e tomando a vacina, você poderá até apresentar alguns sintomas de gripe, mas sua vida estará segura, pois se o vírus atingir seu corpo, seu organismo estará treinado e equipado a se proteger, devido ao “treinamento” que praticou com a vacina. Você pode até estar sujeito a outros tipos de vírus de gripe ou resfriado, mas com certeza estará protegido desse vírus que já matou muitos durante esse ano.

Algumas doenças já foram erradicadas e são doenças que nunca nem vimos graças às campanhas de vacinas, outras reaparecem em alguns surtos devido a comunidades que são contra a vacinação, o que prova a eficácia das vacinas. No vídeo abaixo (divulgado pela Revista FAPESP), o infectologista Guido Carlos Levi comenta as causas e as consequências da recusa à vacinação.

 

E os avanços continuam!

Recentemente foi divulgado pela Fiocruz um avanço na produção de uma vacina contra a esquistossomose. Um produto brasileiro (desenvolvido em parceria com outros países) que irá auxiliar no controle da doença a nível mundial. Veja a reportagem abaixo para saber mais:

 

Saiba mais:

https://www.casadevacinasgsk.com.br/sobre_vacinas/tipo

http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/197-secretaria-svs/13600-calendario-nacional-de-vacinacao

http://webpages.fc.ul.pt/~mcgomes/vacinacao/vacinas/

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cart_vac.pdf

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