Microbiologia

Durante anos de pesquisa aprendemos a evitar as bactérias, agora está na hora de fazer as pazes com elas.

Sabemos que nosso corpo é todo colonizado por microrganismos, da nossa pele ao nosso intestino, e como grande parte das nossas doenças são causadas por esses pequenos seres, aprendemos a evitá-los, lavando as mãos antes de pegar na comida, usando água sanitária ou outro desinfetante no ambiente, entre outras coisas.

Agora vivemos sob a ameaça de possíveis superbactérias, ou seja, bactérias que não respondem a tratamentos com os antibióticos existentes. Devido a isso, muitos pesquisadores começaram a analisar a alternativa de controlar os microrganismos patogênicos a partir da competição com microrganismos que não causam doenças. Nossa microbiota intestinal é um excelente exemplo disso, quando colonizadas com os microrganismos certos, que nos beneficiam, nosso organismo apresenta maior poder de resistência a microrganismos patogênicos. Pensando dessa forma, o pesquisador microbiologista Jack Gilbert da Universidade de Chicago, teve a ideia de estudar a microbiota ambiental de nossos edifícios.

Outros pesquisadores já monitoraram o desenvolvimento da microbiota em recém-nascidos, Gilbert fez isso com prédios recém construídos. Uma ala hospitalar da Universidade de Chicago foi amostrada antes de sua inauguração, em 2013, quando não havia pessoas habitando o espaço. Coletaram amostras de variados lugares, como chão, corrediças, lençóis, interruptores, maçanetas, saídas de ar, etc. Além disso, eles equiparam os quartos com registradores de dados para medir luz, temperatura, umidade, pressão de ar, dióxido de carbono e sensores infravermelhos que pudessem dizer quando as pessoas entravam ou saíam. Após a abertura do hospital a equipe fez coletas de amostras semanais.

O grupo de pesquisa está trabalhando para avaliar como a presença de humanos muda as características da microbiota do prédio e se esses microrganismos ambientais influenciam e colonizam os ocupantes. São apontamentos muito importantes em um hospital, onde microrganismos podem significar questão de vida ou morte. Cerca de cinco a dez por cento das pessoas que ficam internadas em hospitais e outras instituições de saúde pegam uma infecção durante a sua estadia, ficando doente nos lugares que se destinam a torná-los mais saudáveis.

Uma das ideias de Gilbert é semear edifícios com bactérias localizadas em minúsculas esferas de plástico, confeccionadas por impressora tridimensionais, que contêm uma série de recantos microscópicos. As esferas serão impregnadas com bactérias úteis, como Clostridia (que digere fibra e elimina inflamação), bem como nutrientes que nutrem esses microrganismos. Ele está testando isso com ratos sem germes. Ele quer ver se as bactérias são estáveis em suas gaiolas e se elas colonizam os roedores que brincam com as esferas, se elas duram em seus novos hospedeiros e se podem curar os roedores de doenças inflamatórias. Se isso funcionar, Gilbert tem visões de testar as esferas microbianas em blocos de escritório ou enfermarias hospitalares. Ele imagina adicioná-los aos berços nas unidades de cuidados intensivos neonatais, de modo que os bebês estariam constantemente expostos a um rico ecossistema microbiano. Além disso, imagina criar brinquedos de dentição colonizados por microrganismos benéficos.

É uma visão alternativa de probióticos, uma maneira diferente das convencionais de adquirir  microrganismos benéficos, como as bebidas de iogurte, os suplementos nutritivos ou mesmo convivendo com um animal.

Mas o pesquisador está interessado em implementar suas ideias em uma escala muito maior. Ele quer moldar as microbiotas de cidades inteiras, começando com Chicago. Tem conversado com parceiros, como arquitetos e da área de sustentabilidade, visando inclusive a implementação em residências de baixa renda.

Além dos benefícios aos seres humanos, eles apontam que a ideia também pode solucionar problemas como impedir que paredes úmidas sejam invadidas por mofo. Nesse caso, se uma casa tem infiltrações, fungos iriam se beneficiar com a fonte de água, mas primeiro teriam de enfrentar um boom de microrganismos antifúngicos.

Em outro projeto, Gilbert tem trabalhado com a L’Oréal para identificar bactérias que podem prevenir a caspa e dermatite, impedindo que os fungos germinem no couro cabeludo. Estes micróbios podem formar a base de xampus probióticos anticaspa.

A ideia é a de que, assim como exageramos na utilização desnecessária de antibióticos, exageramos na limpeza do ambiente, até mesmo nos hospitais. Ao remover bactérias inofensivas que de outra forma impediriam o crescimento de patógenos, talvez tenhamos construído inadvertidamente um ecossistema mais perigoso. Assim, ao invés de tentar excluir micróbios de nossos edifícios e espaços públicos, talvez seja hora de dar boas vindas a eles.

O vídeo abaixo apresenta um pequeno bate-papo sobre a relação entre cosméticos e o equilíbrio da microbiota da nossa superfície corporal.

 

Fonte: http://ideas.ted.com/for-healthier-buildings-just-add-bacteria/

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