parasitologia

Helmintoses de interesse médico: Ascaridíase, Ancilostomose e Enterobiose

Os helmintos ou vermes estão divididos em dois Filos: Platheminthes (vermes de corpo achatado) e Nemathelminthes (vermes de corpo cilíndrico). Apesar de muitas espécies serem de vida livre, alguns são parasitas, tanto de animais quanto de seres humanos. Aqui falaremos de três helmintoses de importância médica: ascaridíase, ancilostomose e enterobiose. Os parasitos dessas três helmintoses são do grupo dos nemaltelmintos.

Os nematelmintos apresentam um dimorfismo sexual acentuado, com machos menores do que as fêmeas e diferenças na porção posterior definindo os machos. São triblásticos, pseudocelomados e de simetria bilateral. Possuem tegumento coberto por cutícula protetora, respiração tegumentar e sistema digestório completo (boca e ânus). Apresentam dois cordões nervosos (ventral e longitudinal), nenhum sistema de circulação (realizam circulação pelo pseudoceloma) e excreção de amônia por tubos em H, como na imagem abaixo.

tubos em H

Ascaridíase

A ascaridíase é causada pela espécie Ascaris lumbricoides, a famosa lombriga. É uma doença característica de países pobres, onde existem condições precárias de saneamento básico e alta densidade populacional, estando também ligada a hábitos precários de higiene e por isso afetam bastante as crianças de 1 a 12 anos. Fatores climáticos também são importantes, pois ambientes úmidos e quentes favorecem o processo de embrionamento os ovos no ambiente, onde pode permanecer viável por até um ano. Veja no vídeo abaixo, as características do parasito, bem como seu ciclo e vida.

A patogenia da ascaridíase está diretamente relacionada com o número de formas do parasito presentes no hospedeiro. Geralmente é pouco sintomática, mas um grande número de larvas pode causar pontos hemorrágicos no fígado e pulmão, um quadro pneumônico ou catarro sanguinolento e com presença e larvas. Já um número grande de vermes adultos podem causar subnutrição, edemas, urticárias, convulsões, irritação a parede intestinal ou obstrução intestinal.

A transmissão ocorre pela ingestão de ovos em água ou alimentos contaminados. Poeira, aves e insetos podem veicular os ovos, ou podem ficar armazenados embaixo das unhas. Os ovos têm bastante aderência a superfícies e não são removidos com facilidade. Sendo assim, o controle e prevenção da doença exige proteção dos alimentos contra insetos e poeira, saneamento básico, educação sanitária e repetidos tratamentos dos habitantes de áreas endêmicas com drogas ovicidas.

Ancilostomose

A segunda helmintose que vamos falar é a ancilostomose, as espécies que tipicamente parasitam o homem são Ancylostoma duodenale (mais típica do Velho Mundo) e Necator americanus (mais encontrada no Novo Mundo). Ocorre preferencialmente em crianças com mais de 6 anos, adolescentes e indivíduos mais velhos. Veja abaixo, no vídeo, as características das duas espécie e o ciclo de vida.

Os parasitos podem sobreviver por até 18 anos e a espécie A. duodenale pode ter seu desenvolvimento interrompido no hospedeiro, e o período de pré-patência pode alcançar mais de oito meses. Além disso, a L3 pode permanecer viável por várias semanas em microambiente favorável.

Apesar da ocorrência de dois tipos de transmissão, a via oral, por meio de alimentos e água contaminados, é mais efetiva em A. duodenale, enquanto a transcutânea é mais efetiva em N. americanus.

A gravidade da patogenia é proporcional ao número de parasitos. A penetração na pele pode provocar lesões, edemas, pruridos ou dermatites. Já no intestino causa sinais e sintomas abdominais, dor epigástrica, falta de apetite, indigestão, cólica, indisposição, náuseas, vômitos, flatulências e às vezes diarreia mucossanguinolenta. Em casos crônicos ocorre anemia por causa do hematofagismo.

Como medidas de controle e prevenção, faz-se necessário o investimento em saneamento básico, destino seguro às fezes humanas, educação sanitária, uso de anti-helmíntico e suplementação nutricional de ferro e proteínas em áreas endêmicas (uma vez que a patogenia é associada à subnutrição), além de medidas individuais de higiene, como lavar as mãos antes das refeições, consumir água filtrada ou fervida e alimentos crus lavados, usar calçados e luvas ao frequentar locais ou manipular objetos contaminados.

Enterobiose

A terceira helmintose é a enterobiose, causada pela espécie Enterobius vermiculares. Popularmente conhecida como “oxiúros” (devido à sua denominação anterior: Oxiurys vermicularis). Atinge principalmente a faixa etária de 5 a 15 anos, sendo despercebido na maioria dos casos, mas notado pelo prurido anal ou a presença do verme nas fezes. Acompanhe no  próximo vídeo as características e ciclo de vida deste parasito.

A parasitose passa despercebida na maioria dos casos. Nota-se quando se sente o prurido anal ou com a presença dos vermes nas fezes. Pode causar enterite catarral por ação mecânica e irritativa, ceco inflamado e, às vezes, apêndice atingido. Além disso, coçar a região anal pode lesionar ainda mais o local, possibilitando infecção bacteriana secundária. O prurido provoca nervosismo, perda de sono e, em alguns casos, masturbação e erotismo nas meninas. A presença dos parasitos nos órgãos genitais femininos também pode provocar inflamações da vagina, do útero, das trompas e do ovário.

A transmissão é eminentemente doméstica ou de ambientes coletivos fechados, como creches, asilos ou enfermarias infantis. Os ovos podem resistir até 3 semanas em ambiente doméstico, contaminando alimentos e poeira, infectando hospedeiros, seja novo ou o mesmo que os eliminou. Pode ocorrer também por meio da autoinfecção quando o hospedeiro leva os ovos da região perianal à boca ou ainda, de forma mais rara, com as larvas eclodindo na região perianal ou no reto e migrando pelo intestino grosso até o ceco.

Dessa forma, os métodos de controle e prevenção envolvem o cuidado com a limpeza dos alimentos e higiene pessoal, não sacudir roupas de dormir e de cama do hospedeiro, que devem ser lavadas em água quente, banho de chuveiro do paciente pela manhã, corte rente das unhas, aplicação de pomada mercurial na região perianal ao deitar-se, limpeza doméstica com aspirador de pó e tratamento de todas as pessoas parasitadas da família.

Referência Bibliográfica:

NEVES, D. P. et al. Parasitologia humana. 12. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2011.

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